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Entrevista com o Rubem Leite, autor de "Urdume/Urdidumbre"

31/12/2014

“Urdume/Urdidumbre” é a primeira publicação da Círculo das Artes e já está disponível para compra na Amazon no formato e-book. E nada melhor do que o autor da obra nos dar uma entrevista para que seus leitores possam conhecê-lo um pouco melhor e se sentirem mais próximos a ele ou até mesmo para pessoas que ainda não conhecem sua obra descobrirem o que Rubem tem a dizer.

 

 

CÍRCULO DAS ARTES: Conte-nos um pouco sobre você. Onde nasceu, em que ano, como foi sua trajetória de vida.

 

RUBEM LEITE: Oi, pessoas!

Eu nasci em Belo Horizonte (MG) no ano de 1968. Aos seis anos meus pais foram para a cidade de Cel. Fabriciano e eu fui morar com minha avó materna em Raul Soares. Tudo em Minas. Fiz minha primeira série em Raul Soares. Lembro que minha professora deu umas figuras para nós colorirmos e como as bordas (ou traços) que definiam o desenho eram roxos (na época se usava mimeógrafo, uma espécie de impressora a manivela que deixava tudo naquela cor) eu colori a vaquinha, o gatinho, a florzinha e etc. de roxo e lilás porque entendi que era para deixar igualzinho ao desenho (Uarrarrá!). Ela ficou uma arara comigo. Aprendi a ler, a escrever e ao término do ano letivo meus pais estavam mais reestruturados financeiramente, então pude voltar a morar com eles. Minha família na época era composta por meus pais (Dr. Rubem, advogado, e a professora Maria Ettiene) e meus irmãos Rubinho, Ricardo, Fátima, Henrique, Jânio e eu.

 

CA: Como foi para você descobrir que era um poeta?

 

RL: Em casa, depois de um ano com minha avó (Dna. Astolfina), minha irmã me fez ler um livro (Marcelino Pão e Vinho, de José María Sánchez Silva). No início eu não quis e depois nunca mais parei.

Adolescente, comecei a querer escrever e com dezoito anos decidi que iria ser escritor. Parte porque histórias me encantavam (e encantam), parte porque queria ser famoso como intelectual. À medida que fui compreendendo melhor a vida minhas ideias se modificaram. Hoje se me “xingam” de intelectual... (Uarrarrá!). Não sou intelectual e talvez nem inteligente. O que sou é um pensante. Um pensante sentimental e sensacional (no sentido de descrever o que sinto física e/ou emocionalmente).

 

CA: O que a escrita representa em sua vida?

 

RL: A arte em geral é fundamental. Gosto de ser contador e ledor de histórias, amo ser professor, diretor e ator de teatro e mais ainda amo ser escritor em prosa e verso. Não consigo ser outra coisa. Exceto, talvez, professor de português, literatura, redação e espanhol. Pode parecer exagero, mas viver sem escrever seria o mesmo que estar morto. Acho que eu seria um “uolquem dédi”.

 

CA: Quais são os fatores que o influenciam e o inspiram a escrever?

 

RL: O que me influencia a escrever é a necessidade de não me calar diante do que vejo. Quando me deparo com pessoas tendo que esperar dez anos para um tratamento dentário porque não podem pagar ou com dependentes de drogas (sem condenar ou criticar, mas apenas retratar), ou ainda com as flores ao por do sol... tenho que compartilhar com os demais. As belezas para serem admiradas e as feiuras para serem combatidas. Não posso fazer muita coisa – Como o beija-flor da fábula que ia ao riacho pegar água para jogar sobre o incêndio na floresta –, mas faço o que posso: arte! Sou artista e arteiro... (Uarrarrá!).

 

CA:  Por que escolher a poesia e não o romance, por exemplo?

 

RL: Amo romances e novelas, mas acho muito grandes para escrever... (Uarrarrá!). Prefiro lê-los. Na verdade, é porque as histórias curtas me encantam mais que as longas. Posso dar muitos motivos válidos, e alguns verdadeiros (Uarrarrá!), para tal preferência, mas em resumo é porque as pessoas passam por muitas situações e tenho a sensação quando leio ou escrevo histórias curtas que estou discutindo (com o autor ou leitor) um determinado período e não uma vida inteira... Acho mais interessante assim. E por que poesia? Tenho a impressão que histórias são seres vivos. E elas possuem sua própria personalidade. Algumas aceitam sugestões de formas, outras já vêm (quase) prontas. Assim, as histórias me vieram em forma poética, cabendo-me apenas tirar os excessos, fazer uma limpeza.

Capa do livro bilingue de Rubem Leite, Urdume / Urdidrumbre, lançado em 2014

 

Capa do livro bilingue de Rubem Leite, Urdume / Urdidrumbre, lançado em 2014

 

 

CA: Sobre “Urdume/Urdidumbre”, como foi a produção criativa?

 

RL: Apesar de escrever tanto em prosa quanto em verso, os poemas da obra foram escritos num período que passei apaixonado. E falo no quão difícil foi me livrar desse sentimento... Sim, não gosto da paixão. Prefiro o amor. Também faço críticas sociais na obra e digo outras coisinhas mais. A diversidade de conteúdo é porque o ser humano, enquanto ser vivo, passa por muitas situações diferentes ao mesmo tempo. Assim, retrato muitas experiências.

Penso em Bruno Grossi, que ilustrou o livro. Com o pouquíssimo tempo que dispõe ele se dedicou em criar, e bem, imagens que permitissem ao leitor visualizar alguns poemas. Acredito que o leitor há de concordar comigo que nós três (autor, ilustrador, leitor) formamos uma parceria agradável.

 

CA: Como foi a escolha do título?

RL: Inicialmente iria se chamar Rede, mas Willian Delarte, meu amigo e poeta incrível, estava escrevendo um livro cujo título seria o mesmo. Daí ele me perguntou se eu poderia mudar de título. A sugestão foi boa para eu pensar em coisas novas. Achei então algo que exprimiria melhor o conteúdo da obra. Urdume é o ato ou efeito de por os fios em ordem para fazer o tecido. Urdidumbre é a palavra espanhola para urdume.

Ah, gente! Não perca a oportunidade de procurar as obras do Delarte. Ele é excelente poeta. Mas não se esqueça de ler o meu livro, viu! (Uarrarrá!).

 

CA: Por que escolheu fazer um livro bilíngue?

 

RL: Eu tenho bons conhecimentos de português e estou desenvolvendo meus conhecimentos em espanhol, então decidi fazer um presente para dar aos leitores lusófonos e hispano-falantes. Tomei o cuidado de não fazer tradução, mas recriação em espanhol do que tinha feito em português. A diferença entre recriação e tradução é muito sutil, mas talvez possa ser identificada pela impossibilidade de uma tradução ser fiel. Afinal, existem vocábulos, expressões e jogos de palavras impossíveis de se traduzir para outra língua. Dizem que quando se lê uma tradução, na verdade se lê o que o autor quis dizer. Quando se lê uma criação está tendo contado com a ideia do autor. Em suma, a criação bilíngue é para compartilhar com o maior número possível de pessoas o que tenho de melhor para dar: minha escrita. Sei que parece empáfia ou presunção, mas na verdade é minha humilde contribuição de beija-flor para tentar fazer da terra o mundo ideal.

Aqui se vê também a importância de Cida Pinho, que reviu os poemas em português, e Lilian Ferreira, que reviu os poemas em espanhol. Ambas foram preciosas para a produção de uma obra agradável para o leitor.

 

CA: Qual o poema que mais gosta?

 

RL: É muito difícil. Cada um tem uma história para contar. Em “Maribondo”, por exemplo, digo o quanto perniciosa era minha amada. Em “A Bela, eu e os Grilos”, falo sobre poetas e suas criações. Mas todos os poemas ali me agradam muitíssimo e espero que sejam benéficos para quem os ler.

 

CA: O que espera que os leitores percebam em sua obra? Qual a mensagem que você quer passar?

 

RL: O que desejo passar e gostaria que percebessem é que URDUME/URDIDUMBRE é um e-book de poesias para exorcizar lamentos de amor, raiva e dor exacerbada através de sentimentos apurados e de um posicionamento significativo no mundo. Em suma, espero que o leitor se sinta melhor com minha leitura. Seja porque esqueceu por alguns momentos daquilo que o afligia, seja porque se sentiu renovado para poder modificar sua vida. Ou seja, espero que a resiliência do leitor seja aflorada através da obra.

E espero não ser visto como presunçoso, nem tolo visionário por ter tais ideias e ideais. Afinal, sou apenas um colibri.

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