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Pequenas alegrias

 

Todos os dias, por ser debilitada, a mãe a mandava comprar pão. Todos os dias, a pequena garotinha com grandes olhos de gato, cor de amêndoas, saia contente de casa. E todos os dias, aquela rotina habitual se tornava a sua pequena aventura. Por não ter brinquedos, ela tornava o seu trajeto uma verdadeira diversão. Gostava do modo como o canto dos pássaros parecia ser musical, e apreciava a forma como as abelhas se deliciavam ao tirar o pólen das flores. Adorava observar cada pequenina flor, e notar a perfeita simetria que todas continham. Seus olhos de gato viviam se arregalando. O padeiro sempre se perguntava a que devia tamanha alegria. E  a garotinha respondia: ''Você deve passar a observar''. Mas o padeiro não tinha tempo para bobagens, ele tinha que trabalhar. Ficava indignado com a maneira que as crianças conseguiam se divertir com tão pouco. Pensava que algum dia, infelizmente elas iriam crescer e esquecer o quanto podiam ser felizes nas pequenas coisas. O quanto a vida sempre parecia ser uma aventura inacabável. Mas que na verdade ela é dolorida, e traiçoeira.  Prega-te peças, te engana. Então o padeiro decidiu prolongar aquele momento o máximo que podia. Entregou o pão a pequena garota com o maior sorriso que conseguia produzir, anexando uma flor do seu canteiro ao pacote. E então a observou partir, sempre saltitando, sempre sorrindo, sempre cantando.

 

 

 

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