MINHA SAGA

Acho que foi em 2013 que eu resolvi, depois de muito pensar, que eu queria ter uma editora. Meu sonho sempre foi ser escritora, escrevia antes mesmo de saber escrever e quando aprendi, meus pais eram obrigados a me dar, sempre que possível, aquele pacote de 500 folhas de sulfite. Com eles, eu dobrava um número x de folhas, grampeava no meio e escrevia. Sim, eu tinha um limite de páginas e escrevia na mão mesmo. Na época não havia computadores, mas máquinas de escrever. Só fui ter uma anos depois e, para meu desespero, minha mãe deu o fim nela quando ficou velha e sem utilidade – nessa época, nós já tínhamos um computador. Mas cá entre nós, não justifica jogar uma máquina de escrever fora, mesmo que ela não estivesse funcionando muito bem.

 

Uma criança normal quer brinquedos, eu queria papel e caneta. Se vocês pudessem ver a parte de baixa da minha atual escrivaninha, teriam um choque: tenho MUITAS canetas, de todos os tipos, marcas e cores. Nunca perdi essa mania. E acho que nunca vou perder, mesmo que eu não use todas ou se quer precise dessa quantidade. E continuo escrevendo. Na mão, em cadernos, milhares de cadernos.

 

Mas, por ironia do destino, nunca publiquei nada, mesmo depois de lançar oficialmente a Círculo das Artes. Sei lá, nunca mais consegui terminar de escrever qualquer história que começava. Deve ser por medo mesmo. Fico pensando que, como eu coloquei minhas mãos em obras tão magníficas, o que eu escrevo acaba sendo patético. No fundo, lá fundo, das profundezas da minha alma, eu sei que estou errada. Tenho uma história que estou tentando escrever desde 2002. Imagina só, nunca saí do primeiro capítulo. Escreve e reescrevo e nunca parece bom o suficiente. E ela tá aí, na publicada na parte de contos. Você consegue adivinhar?

 

Antes de abrir a editora, eu trabalhei em diversos lugares (e ainda trabalho), produzi livros de todos os tipos, desde os infantis, passando por quadrinhos e chegando nos monstros de exatas. Calhamaços de cálculos que fazia eu ter pesadelos horríveis. Nunca gostei de exatas, mas acabei virando especialista neste tipo de livro. Vai entender as obras do destino.

 

Mas enfim, com o tempo eu fui percebendo que precisava de outra pessoa para dar andamento a Círculo das Artes, foi aí que eu tive duas grandes sócias. Mulheres sensacionais que acrescentaram muito. Claro que não foi ao mesmo tempo, cada uma vivenciou uma parte da Círculo. Mas não deu certo. Éramos diferentes e queríamos coisas diferentes. Então resolvemos nos separar.

 

Publiquei algumas obras pela Círculo, mas ela nunca me satisfez da forma que eu gostaria. Pensei em desistir milhares de vezes, pois ter uma empresa significa dar dinheiro para o governo e muito dinheiro. Então ela mais tomou de mim do que me deu. As alegrias foram poucas, lágrimas foram muitas.

 

Mas aí veio a pandemia. E eu entrei num estado de escolher: acabar de vez ou continuar com outro modelo de negócio. Resolvi tentar mais uma vez, dessa vez sozinha, sozinha, sozinha. Claro que tem coisas que eu não sou tão boa, como revisar texto, mas tenho ótimos parceiros que podem fazer isso. Então criei o modelo tradicional e o moderno. Fiz ótimas parcerias com outras empresas para distribuir o livro e tenho muitas ideias o tempo todo. Achei que isso deveria servir para algo.

 

Ainda quero publicar um livro, mas me contento em descobrir obras incríveis de pessoas que jamais conseguiriam publicar um livro por uma editora grande. Claro que eu quero ser grande, mas quero fazer isso sem extorquir ninguém.

 

Por estar sozinha nesta empreitada e não ser herdeira cheia de dinheiro, preciso de ajuda para conquistar meu sonho e realizar dos outros também. Preciso de ajuda. E espero que você, escritor, leitor, possa entender que neste início as coisas não serão tão glamorosas, mas tenho fé de que um dia será. E meus autores serão tão grandes quanto qualquer um que tem por aí.

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